Vista da Serra do Caraça MG

Localização e Extensão Territorial da APA SUL RMBH

A APA Sul da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) é uma Unidade de Conservação de uso sustentável, com extensão de 1625,32 km² na porção sul da capital de Minas Gerais, composta pelos municípios de Barão de Cocais, Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Catas Altas, Ibirité, Itabirito, Mário Campos, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Santa Bárbara e Sarzedo.

Mapa localização da APA SUL em MG
Mapa da localização da APA Sul RMBH

O memorial descritivo da APA Sul foi elaborado com base nas cartas do IBGE:

Escala 1:50.000 – Folhas

  • SE 23-Z-C-VI-3 Belo Horizonte
  • SF-23-X-A-III-1 Rio Acima
  • SF-23- X-A-III-2 Acuruí
  • SE-23-Z-C-VI-4 Caeté
  • SF-23-X-A-I-1 Catas Altas
  • SF-23-X-A-III-3-MI-2573-3 Itabirito
  • SF-23-X-A-II-2 Brumadinho
  • SF-23-X-A-III-4-MI-2573-4 Ouro Preto

E em escala 1:100.000 a Folha

  • SE-23-Z-D-IV Itabira.
Municípios Área Total do Município (km²) Participação na APA (km²) Equivalência em %
Barão de Cocais 342,00 4,39 0,27
Belo Horizonte 335,00 34,37 2,11
Brumadinho 634,00 176,43 10,86
Caeté 528,00 39,55 2,43
Catas Altas 240,30 75,59 4,65
Ibirité 145,00 17,71 1,09
Itabirito 553,00 259,26 15,95
Mário Campos 37,00 11,62 0,71
Nova Lima 410,00 378,16 23,27
Raposos 77,00 39,75 2,45
Rio Acima 228,06 228,06 14,03
Santa Bárbara 859,00 337,82 20,78
Sarzedo 62,17 22,61 1,39
TOTAL   1625,32 100,00
Fonte: Enciclopédia dos Municípios Mineiros/Vol. 1, 1998; Rio Acima (Instituto de
Geociência Aplicada – IGA/MG); Catas Altas (PRODEMGE)

Legislação Aplicada para a APA Sul da RMBH

Através da Lei 9.985 de 18 de julho 2000 instituiu-se o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC e em seu Art. 14 enquadra entre as unidades que constituem o Grupo das Unidades de Uso Sustentável às Áreas de Proteção Ambiental – APA’s. O Art. 15 dessa mesma lei define APA como sendo “uma área em geral extensa, com um certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biólogica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais

Diante dos atributos do meio físico, biótico, estético, cultural e econômico da região sul de Belo Horizonte, instalou-se a APA Sul da RMBH, motivada por seu imenso potencial hídrico da região. Assim, os instrumentos legais que regem a oficialização da APA Sul são:

  • Decreto 35624, de 08/06/1994 – Declara como área de proteção ambiental a região situada nos municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Ibirité, Itabirito, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, e Santa Bárbara, e dá outras providências.
  • Decreto 37812, de 08/03/1996 – Altera dispositivos do Decreto 35624, de 08/06/1994, que declara como Área de Proteção Ambiental a Região situada nos Municípios de Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Ibirité, Itabirito, Nova Lima, Raposos, Rio Acima e Santa Bárbara, e dá outras providências.
  • Lei 13960, de 26/07/2001 – Declara como área de proteção ambiental a região situada nos municípios de Barão de Cocais, Belo Horizonte, Brumadinho, Caeté, Catas Altas, Ibirité, Itabirito, Mário Campos, Nova Lima, Raposos, Rio Acima, Santa Bárbara e Sarzedo e dá outras providências.

Em 1994, o decreto 35624 estabeleceu a delimitação geográfica da APA abrangendo apenas 09 municípios e, evoluiu para 13 na Lei Estadual 13960. Assim, a legislação que está em vigor declara no seu Art. 2 o objetivo básico da criação da APA Sul da RMBH que condiz: “proteger e conservar os sistemas naturais essenciais a biodiversidade, especialmente os recursos hídricos necessários ao abastecimento da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte e das áreas adjacentes, com vistas a melhoria da qualidade de vida da população local, à proteção dos ecossistemas e ao desenvolvimento sustentável

Recursos Minerais da APA SUL e sua exploração

A APA SUL RMBH encontra-se totalmente inserida no contexto do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais que está entre as mais importantes províncias metalogenéticas do Brasil. A mineração é a principal atividade econômica da APA e foi responsável pelo desenvolvimento de núcleos populacionais na região.

Os mais importantes minérios metálicos explorados na APA SUL são, em primeiro lugar, minério de ferro (hematita e itabiritos) seguido pelo minério de ouro. Outros metais de valor econômico como o alumínio (bauxita) e o manganês também são explorados na região. Houve também a exploração de urânio e antimônio, porém as operações foram encerradas na década de 70. Quanto às substâncias não metálicas, a área da APA Sul tem potencial para exploração de areias, argilas, calcários dolomíticos e dolomitos, serpentinito e granitos.

Meio Físico da APA Sul

Hidrografia

A APA Sul está inserida nas bacias federais dos rios São Francisco e Doce. A bacia do Rio São Francisco é representada, na área, pelas bacias estaduais do rio das Velhas e do rio Paraopeba. Já a bacia do Rio Doce, pela bacia estadual do rio Piracicaba.

Os divisores hidrográficos mais importantes são a Serra da Moeda, que divide as bacias do Alto Rio das Velhas e do Médio Paraopeba e a Serra do Espinhaço, que divide as bacias do Alto Rio das Velhas e do Alto Piracicaba.

De acordo com a CPRM (2005), o trecho do Alto São Francisco que drena os municípios de Belo Horizonte, Itabirito, Nova Lima, Rio Acima e Raposos ocupa 60% da área da APA Sul, o Médio Paraopeba ocupa 14% da região e drena Brumadinho, Mário Campos, Sarzedo e Ibirité e, por fim, o trecho do Alto Piracicaba ocupa 26% da área e drena os municípios de Catas Altas, Santa Bárbara, Caeté e Barão de Cocais.

Uso e Cobertura do Solo da APA Sul

A partir da classificação supervisionada das imagens do satélite LandSat TM 7 (cenas 218/74 e 217/74) e, posteriormente, checagem de campo e correção, o mapeamento CPRM (2005) apresenta 14 classes de uso da terra na APA Sul RMBH:

  • Mata – trata-se de formação mesófila cujo a principal característica é a perda significativa das folhas durante a época de seca. As árvores possuem, em geral, troncos retos e engalhamento alto, muitas copas em pára-sol no primeiro estrato e folhas predominantemente pequenas. Nesta classe também estão incluídas as matas ciliares que ocorrem nas margens dos rios.
  • Cerrado – na região a classe cerrado ocorre em cotas superiores a 800m, em locais onde o relevo é ondulado e apresenta uma formação vegetal arbóreo-arbustiva que se caracteriza por apresentar indivíduos de porte médio, desprovidos de espinhos, com troncos retorcidos, exibindo casca de cortiça pouco desenvolvida.
  • Capoeira – representa à primeira fase de sucessão vegetal, ou seja, são locais onde anteriormente sofreram descaracterização da vegetação primária e estão em processo de regeneração. Os aspectos como porte e diâmetro das árvores e arbustos são variados já que dependem da vegetação original, grau de regeneração e das condições do solo e do clima (edafoclimática).
  • Campo Graminoso/Campo Cerrado – classe de maior ocorrência na APA Sul RMBH, constitui de uma formação vegetal associada ou mista, composta de cerrado, com ocorrência expressiva de espécies típicas de campo. A unidade está relacionada a solos rasos e cascalhentos/pedregosos.
  • Campo Rupestre – formação vegetal assentada diretamente sobre as rochas. Neste terreno não há solo contínuo apenas a camada de material inconsolidado que sustenta esse tipo de vegetação.
  • Área Alagada – áreas planas e baixas que periodicamente são alagadas e que correspondem às zonas de transbordamento próximos a rios, lagos e lagunas.
  • Reflorestamento – geralmente representado pelo plantio de Eucalyptus e Pinus que exibem um padrão homogênio com característica de espaçamento regular.
  • Afloramento Rochoso – exposições de rochas em superfície associados a locais de declividade bem acentuada, acima de 45%.
  • Solo Exposto – exceto os afloramentos rochosos, os solos expostos ocorrem em áreas desprovidas de vegetação ou cultura. Ocorrem geralmente devido as ações antrópicas ou compreendem áreas erodidas por processo de voçoramento.
  • Agricultura – a baixa aptidão agrícola dos solos da região da APA Sul RMBH refletem nas pequenas áreas de cultivo. São cultivadas hortaliças bem como café (exclusivo da região do Caraça), chuchu, jabuticaba, tangerina etc.
  • Pastagem – as pastagens correspondem à primeira fase de sucessão vegetal do sistema secundário e, estão associados a regeneração em áreas da retirada da classe Mata.
  • Área Urbana – correspondem às áreas ocupadas por uso residencial, comercial, industrial, abastecimento público, lazer e instalações de trânsito.
  • Mineração – são as áreas de mineração em conjunto da sua área de influência como: cavas, pilhas de estéril ou rejeito, beneficiamento, instalação industrial e sedes administrativas.
  • Corpos D’água – referem-se os rios, lagoas, lagunas, reservatórios e barragens, ou seja, toda a cobertura úmida de caráter permanente.

Geologia da APA Sul

A área da APA Sul da RMBH encontra-se totalmente inserida no Quadrilátero Ferrífero (QF). No contexto geotectônico, posiciona-se na borda sul do Cráton de São Francisco onde afloram rochas do Complexo Ortognáissico – Complexo Belo Horizonte, Bonfim, Bação e Santa Bárbara, do Supergrupo Rio das Velhas (Grupo Quebra Osso, Nova Lima, Maquiné, e Complexo Boiadeiros), do Supergrupo Minas (Grupos Caraça, Itabira, Piracicaba e Sabará) e Grupo Itacolomi, do Paleoproterozóico e, formações superficiais continentais do fanerozóico. Abaixo, o resumo apresentado pela CPRM (2005) sobre as unidades litoestratigráficas da região:

  • Complexo Ortognáissico – são compostos por terrenos granitos-gnáissicos que, intrusivos nessas rochas, encontram-se variados corpos granitóides e rochas básicas e metabásicas provenientes de diferentes etapas de acresção mantélica ou retrabalhamento crustal. As áreas de afloramento das rochas dos complexos ortognáissicos são: Complexo Belo Horizonte – proximidade da cidade de Ibirité; Complexo Bação – região central da APA; Complexo Bonfim – região sudoeste da APA e Complexo Santa Bárbara – região leste da APA. Estudos geocronológicos chegaram a valores entre 2.9 a 3.2 Ga.
  • Supergrupo Rio das Velhas – são compostos por rochas vulcânicas e metassedimentares representando uma sequência arqueana do tipo greenstone belt. Encontra-se exposto em duas faixas principais, uma na porção central, seguindo o curso do Rio das Velhas e outra a nordeste, ao longo do rio Conceição.
  • Supergrupo Minas – composta por rochas da cobertura plataformal proterozóica que assenta-se discordantemente sobre as rochas do Embasamento Cristalino e do Supergrupo Rio das Velhas.
  • Formações Superficiais Continentais – representadas por canga, colúvio e elúvio de minério de ferro, areia limonítica, argila, terraços fluviais, linhito, bauxita e aluvião.

Para maior detalhamento da geologia da região recomenda-se consultar o Texto Explicativo – Geologia do PROJETO APA SUL RMBH (CPRM,2005). Atualizações mais recentes podem ser encontradas no Mapa Geológico do Quadrilátero Ferrífero versão 2019, em escala 1:150.000.

Hidrogeologia da APA Sul

Sabe-se que a região da APA Sul da RMBH apresenta um expressivo potecial hídrico subterrâneo que abastece boa parte da capital do estado. O arcabouço geológico representado pela diversidade de litotipos, evolução tectônica policíclica e, os três eventos de deformação (Rio das Velhas, Transamazônico e Brasiliano) criaram um mosaico de unidades hidrogeológicas descontínuas, heterogêneas e anisotrópicas.

O resultado das significativas diferenças nas capacidades de armazenamento e nas características físico-químicas das águas levou a CPRM (2005) definir diferentes Sistemas de Aquíferos para a região:

  • Sistema Aquífero Granito-Gnáissico – Estão associados aos Complexos Bonfim, Bação, Belo Horizonte e Santa Bárbara e é composto pelas rochas que formam a base das sequencias metassedimentares do Quadrilátero Ferrífero (QF). Vem assumindo uma relativa importância pela crescente ocupação antrópica sobre seus domínios, e o consequente aumento da demanda de água para o abastecimento doméstico. Está localizado nos distritos de Marques, Casa Branca e Córrego do Feijão e no centro-sul nas imediações da represa Rio de Pedras e da sede de Itabirito. Formam aquíferos descontínuos, do tipo fraturado, em que as descontinuidades (fratura, diaclase, juntas e falhas) são conectadas hidraulicamente com as formações superficiais de intemperismo ou sedimentos alúvio-coluvionar. A porosidade e a permeabilidade são secundárias, resultante de esforços tectônicos e dos processos de meteorização.
  • Sistema Aquífero Xistoso – Estão associados às rochas metassedimentares e metavulcanossedimentares do tipo greenstone belt. Predominam nas bacias do rio das Velhas e rio Conceição e estão localizados na serra da Moeda e flanco norte do trecho serra do Curral-Três Irmãos. Apresentam aquíferos descontínuos, do tipo fissural em fraturas, diáclases, juntas e falhas livres a confinadas, baixa permeabilidade, fortemente anisotrópico e heterogêneos. A porosidade e a permeabilidade são secundárias e resultantes de esforços tectônicos.
  • Sistema Aquífero Formação Ferrífera – São constituídos de metassedimentos químicos de formações ferríferas bandadas frequentes na porção centro norte da Bacia do Rio das Velhas. Formam aquíferos descontínuos, do tipo fraturado, anisotrópicos, heterogêneos, livres a confinados por níveis de xisto e metapelitos pouco permeáveis. Apesar dos poucos dados hidrodinâmicos e da sua área restrita de ocorrência, o potencial demonstrado pelos poços artesiano e a elevada densidade de fraturamento das rochas em superfície sugere uma boa capacidade de armazenamento.
  • Sistema Aquífero Quartzítico – Está presente nas rochas metassedimentares onde predominam quartzitos interestratificados de filito, xisto ou dolomitos. As maiores ocorrências estão na região do Caraça, na Sinclinal da Moeda e na região da serra do Espinhaço, divisor de águas das bacias do rio das Velhas e rio Paraopeba. Os aquíferos são descontínuos, do tipo fraturado, livre a confinados pelos metapelitos e xistos interestratificados de baixa permeabilidade, anisotrópico e heterogêneo.
  • Sistema Aquífero Itabirítico – Representa o principal sistema de aquífero da APA Sul e do Quadrilátero Ferrífero e ocorrem associados as Formações Ferríferas Bandadas. Os aquíferos são encontrados nas regiões da Serra do Curral até a Serra dos Três Irmãos e nas Sinclinais Gandarela, da Moeda e Ouro Fino, esta última na região de Capanema. Formam aquíferos do tipo fraturado e/ou granular, fortemente anisotrópico e heterogêneo, condicionado pelo fraturamento e dissolução química do carbonato e quartzo que proporcionam permeabilidades e porosidades secundárias.
  • Sistema Aquífero Carbonático – Estratigraficamente encontra-se sobreposto ao sistema de aquífero Itabirítico, constituídos de itabirito da Formação Cauê, através do contato gradacional onde a diminuição de ferro marca a transição. Assim, o sistema de aquífero está associado a rocha calcário dolomítico (carbonato de magnésio). A distribuição geográfica acompanha a do sistema Itabirítico nas regiões da serra do Curral até a serra Três Irmãos e nas Sinclinais Gandarela, Moeda e Ouro Fino. Formam aquíferos descontínuos, do tipo fraturado, livres a confinados pelos regolitos argilosos, produto do intemperismo da rocha, fortemente anisotrópico e heterogêneo. A porosidade e permeabilidade são secundárias, condicionados pelo tectonismo e dissolução do carbonato.
  • Sistema Aquífero Quartzito Cercadinho – Os aquíferos estão em rochas metassedimentares clásticas da Formação Cercadinho. Distribui-se geograficamente pelas regiões da serra do Curral até a serra dos Três Irmãos e nas Sinclinais Gandarela e da Moeda. São aquíferos descontínuos, do tipo fraturado, confinado pelos filitos interestratificados e filitos da Formação Fecho do Funil, de porosidade e permeabilidade secundária resultante dos esforços do tectonismo e do intemperismo.
  • Sistema Aquífero Granular – Estão presentes em sedimentos inconsolidados ou formações lateríticas em ambientes flúvio-lacustres, de depósitos de tálus, enchimento de vales, aluvionares e de meteorização superficial. Geograficamente estão distribuídos em toda área da APA Sul e recobre outras unidades aquíferas. Formam aquíferos descontínuos, livres, fortemente anisotrópico e heterogêneo. As porosidades e permeabilidades são bastante variadas em razão da variabilidade dos fatores físico-químico. Apresentam porosidade e permeabilidade muito boa em coberturas lateríticas onde, praticamente, toda água precipitada infiltra. Em contrapartida, em sedimentos ou solos residuais com expressiva quantidade de fração argila a permeabilidade é baixa.
  • Aquitardo – Por definição, aquitardo é uma camada ou formação semi-permeável, delimitada no topo e/ou na base por camada de permeabilidade muito maior e, aquiclude defini-se por uma formação que contém água incapaz de transmiti-la em condições naturais (Feitosa, 1997). Na área da APA Sul as unidades geológicas pouco permeáveis ocorrem por toda região como formações, níveis interestratificados, depósitos Terciários ou Quartenários ou corpos intrusivos máficos. As principais formações metassedimentares são as Formações Batatal e Barreiro pertencentes ao Supergrupo Minas.

Pedologia da APA Sul

Na área da APA Sul RMBH foram identificadas (CPRM,2005) as seguintes classes de solo:

  • Argissolo – solos minerais, não hidromórficos, que apresentam horizonte B textural, baixa atividade da fração argila, profundos e subjacente a horizonte A ou E. São subdivididos em um segundo nível categórico em função da diferença de cor do horizonte B textural. Dessa forma, na área de estudo estão identificados: argissolo vermelho e argissolo vermelho-amarelo.
  • Cambissolo – é a classe de maior ocorrência na APA Sul RMBH e são representados por solos minerais não hidromórficos, de horizonte B incipiente e, subjacente do horizonte A de qualquer tipo ou horizonte hístico com menos de 40cm de espessura. São caracterizados pelo baixo grau de desenvolvimento pedogenético, o que, em geral, condiciona uma forte influência dos materiais de origem sobre as características do solo. Na área de estudo estão diferenciados no terceiro nível categórico, em função do teor de ferro, saturação de bases, atividade da argila e profundidade específica do solo representados por: Cambissolos Háplicos Perférricos e, Cambissolos Háplicos Tb Distróficos.
  • Gleissolo – solos minerais hidromórficos que apresentam horizonte glei. Caracterizados pelo lençol freático elevado na maior parte do ano contudo, são mal ou muito mal drenados. Essa tipologia de solo é relativamente recente, pouco evoluída e, apresenta grande variabilidade espacial. Na APA Sul RMBH, desenvolvem sobre sedimentos quartenários e diferenciam-se entre Gleissolos Melânicos e Gleissolos Háplicos em decorrência da expressão do horizonte superficial.
  • Latossolo – solos minerais, não hidromórficos, horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A. São solos em estágio avançado de intemperização, muito evoluídos. São solos profundos, apresentam elevada permeabilidade e porosidade que corrobora com a característica de serem bem a acentuadamente drenados. São diferenciados no segundo nível categórico em função da coloração e no terceiro em relação à saturação por bases e teor de óxidos de ferro. Na área da APA Sul da RMBH são encontrados: Latossolos Vermelhos Perférricos, Latossolos Vermelhos Distróficos, Latossolos Vermelhos Ácricos, Latossolos Vermelhos Acriférricos, Latossolos Vermelho-Amarelos Perférricos e Latossolos Vermelho-Amarelos Ácricos.
  • Neossolo – solos minerais pouco desenvolvidos, caracterizados pela ausência de horizonte B diagnóstico. Na área da APA Sul são identificados, em segundo nível categórico em: Neossolos Litólicos, Neossolos Flúvicos e Neossolos Regolíticos.
  • Plintossolo – são solos com horizonte plíntico ou litoplíntico, de drenagem variável, no qual o acúmulo d’água durante o ano limitam um pouco seu aproveitamento. Na área da APA Sul são encontrados os Plintossolos Pétricos,

Geomorfologia da APA Sul

A configuração geomorfológica da APA Sul RMBH caracteriza-se por um conjunto de relevos predominantemente montanhosos fortemente orientados pelo substrato litoestrutural. A resistência ao intemperismo químico, a erosão de um conjunto diversificado de litologias, a complexa geologia estrutural marcada por diversos eventos de dobramento e falhas de empurrão e o processo de soerguimento tectônico Cenozóico, foram fatores que afetaram a região. Barbosa (1967) individualizou as Unidades Morfoestruturais em:

  • Crista Monoclinal da Serra do Curral – Localiza-se na porção norte do Quadrilátero Ferrífero, com cristas dominantes onde as cotas mais elevadas alcaçam 1400m. O extenso alinhamento (SW/NE) serrano de cristas aguçadas da serra do Curral perfaz, aproximadamente, 50km entre os fechos do Funil e de Sabará.
  • Depressão Marginal do Rio Paraopeba/Depressão Interplanática do Alto do Rio das Velhas – ocorrem na região de Itabirito e na porção oeste da APA Sul, apresenta relevo ondulado com altitude máxima de 1000m. As formas de relevo predominante são colinas dissecadas e morros baixos de geometria convexa ou convexo-côncavo e topos arredondados, com expressiva sedimentação aluvial.
  • Platô da Sinclinal Moeda – Extensa superfície suspensa, disposta na direção norte-sul e exibe uma configuração morfológica subdividida em duas unidades: abas externas e o platô do interior do sinclinal. As abas do sinclinal estão sustentadas pelos quartzitos da Formação Moeda (Grupo Caraça) e itabiritos da Formação Cauê (Grupo Itabira).
  • Vale Anticlinal do Rio das Velhas – Apresenta um relevo predominantemente constituído por morros de topos alinhados, formando pequenas cristas e vertentes de geometria retilínea a côncava, bastante dissecado, com um intervalo de altitudes entre 1000 e 1200m. As formas de relevo estão orientadas na direção leste-oeste coincidindo com o sentido predominante das dobras do Supergrupo Rio das Velhas.
  • Patamares Escalonados da Serra do Jaguara – são caracterizados por grandes sequencias descontínuas de degraus/patamares estruturais onde estão salientadas as cristas alinhadas com padrão de relevo ruiniforme, vales encaixados, patamares escalonados orientados por fraturas, vertentes íngrimes e ravinadas e extensos escapamentos.
  • Depressão Suspensa da Sinclinal Gandarela – Exibe uma configuração morfológica subdividida em duas unidades: abas externas e o relevo entalhado do interior do sinclinal. As abas da sinclinal são delimitadas por escarpamentos que apresentam, para o interior do sinclinal, desnivelamento expressivo, esculpidos sobre itabiritos da Formação Cauê e dissecadas em profundos anfiteatros suspensos. Na aba oriental, notam-se apenas cristas de itabirito, mais rebaixadas e, em parte, destruídas por um afluente do rio da Conceição, que rompeu o divisor de drenagem e capturou o ribeirão Preto, que drena o interior do sinclinal.
  • Vale Anticlinal do Rio Conceição – Caracteriza-se por um extenso vale encaixado, quase retilíneo, situado entre as Unidades Sinclinal Gandarela e Maciço do Caraça. O vale configura-se por uma sucessão de morros de topos alinhados sob forma de extensos espigões conectados, a oeste, à aba oriental da Depressão Suspensa da Sinclinal Gandarela e, a leste, ao Maciço do Caraça.
  • Maciço do Caraça – A unidade é marcada pelos escarpamentos de quartzitos subverticalizados, em geral, condicionados por falhas. No topo dessas escarpas, são observados frequentemente, platôs quartzíticos de relevo plano a levemente ondulado.
  • Depressão Marginal do Rio Piracicaba – As formas de relevo predominante são colinas arredondadas pouco dissecada de geometria convexa ou convexa-côncava e topos arredondados, com expressiva sedimentação aluvial ao longo do Ribeirão Caraça, frequentemente interdigitada com rampas de colúvio ao longo de seus principais canais tributários entulhados de sedimentos.

As descrições das Unidades Morfoestruturais supracitadas foram retiradas do Projeto APA Sul RMBH – Estudos do Meio Físico (CPRM, 2005).

Geoquímica Ambiental

As minerações de ferro e ouro na região da APA Sul da RMBH, são responsáveis pela liberação de material particulado para a atmosfera que são depositados na região ou transportados pelo vento até longas distâncias. Associada a essa atividade, são identificados cavas profundas, depósitos de estéril e rejeitos e barramentos de contenção de resíduos que, quando mal controlados, conduzem sedimentos até os cursos d’água.

Diante disso, os sedimentos de corrente das drenagens da região da APA Sul são enriquecidos de ferro e manganês (CPRM, 2005), o que mostra a influência da litologia e da composição do material de cobertura do Quadrilátero Ferrífero. Entretanto, as interferências antrópicas, como a exploração e beneficiamento do minério, podem resultar no carreamento de sedimentos mais finos para os leitos dos rios e córregos, aumentando assim as concentrações desses elementos nos ecossistemas aquáticos.

Em relação à concentração de arsênio, o estudo da CPRM (2005) apresenta elevados valores encontrados no córrego Praiana (que drena o aterro de lixo de Itabirito) e, no ribeirão Água Suja que, segundo os autores, a presença deste elemento químico está relacionado à existência de passivos ambientais na sua microbacia.

Na região, é detectado a presença de cádmio na maioria dos sedimentos de corrente analisados pela CPRM (2005). Acredita-se que, apesar da sua baixa ocorrência natural na crosta terrestre, este elemento é incorporado nos ecossistemas aquáticos através das atividades antropogênicas. O elemento está presente em: revestimento de materiais, pigmentos de tinta, indústria plástica, baterias, soldas, lubrificantes, acessórios fotográficos, resíduo de pneu, óleo diesel, fertilizantes e lixo urbano.

As elevadas concentrações de cobre, cromo e níquel foram associados principalmente com o intemperismo das rochas máficas-ultramáficas que ocorrem na região. Em especial ao córrego do Carioca, na bacia do Rio das Velhas, o estudo da CPRM (2005) associou as elevadas concentrações desses elementos químicos às atividades de mineração e industrial.

Em resumo, o estudo alerta que as altas concentrações de arsênio e cádmio são os elementos tóxicos que merecem maior atenção, principalmente se os mananciais forem utilizados para consumo, irrigação, dessedentação de gado ou pesca e recreação.

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